Sobre a natureza e propósito da Educação Obrigatória
Algo a se pensar: http://rv.cnt.br/viewtopic.php?f=1&t=20361
Escrito por Luis Dantas às 00h22
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Transexualidade - uma realidade que precisa ser divulgada e aceita com serenidade.
O vídeo original de mais de quatro minutos de duração, e a versão resumida que foi exibida no final do capítulo de hoje de "Viver a Vida". É absolutamente assustador o volume de barbaridades e brutalidades que são cometidos por pessoas que são basicamente boas, por pura dificuldade de compreender e aceitar outras pessoas que não são exatamente como elas esperariam. Isso precisa mudar, o quanto antes. Porque são pessoas inocentes, que nunca tiveram escolha, que dirá malícia, que sofrem as consequências e pagam um alto preço pelo direito básico e inalienável de tentar ser felizes. Veja também A Importância de um Nome, por Mara Cornelsen.
Escrito por Luis Dantas às 22h45
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Deixe ver se eu entendi: em 2001, o Arruda era Senador, violava o sigilo de votações que DEVERIAM ser secretas, foi pego com a boca na botija, saiu impune e até foi sabe-se lá como considerado seriamente para candidato a Governador do DF. Chegou, de fato, a ser eleito. Agora, decidiu que precisa de uma votação secreta para se safar novamente. Chamar isso de oportunismo descarado é o mínimo... http://youpode.com.br/blog/alguemmedisse/tag/violacao-do-painel-do-senado/ - Um retrospecto do escândalo de 2001, quando Arruda e ACM violaram o sigilo das votações do Senado para se favorecer. http://veja.abril.com.br/250401/p_052.html - Veja de 25 de abril de 2001, comentando o mesmo escândalo. http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2733335.xml&template=3898.dwt&edition=13628§ion=1007 - Zero Hora de 30 de novembro de 2009; Da violação do painel do Senado à Caixa de Pandora - Trajetória de governador é marcada por denúncias e sucesso nas urnas http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=22830644 - Arruda pressiona DEM por voto secreto e pede absolvição
Escrito por Luis Dantas às 22h28
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José Medrado mantém um interessante e esclarecido blog, mas não é por isso que trago o nome dele para cá; é porque ele, acompanhado de lamentavelmente poucos, se lembrou de chamar a atenção ao absurdo preocupante contido na recente atitude de alguns magistrados influentes. Por incrível que pareça, chegou a ser ameaçado por isso. Seja como for, pretendo me juntar a esse lamentavelmente restrito grupo. Segundo o próprio STF, "Outra preocupação dos ministros e presidentes dos tribunais superiores era estabelecer política de remuneração em que um servidor no final da carreira não recebesse remuneração maior do que a de juiz federal substituto." Ora, essa preocupação é absurda, infantil, alienada e obscena. Preocupações do CNJ / Exigências surpreendentes, que foram, como não poderia deixar de ser, frontalmente desafiadas com a máxima ênfase. http://www.sintrajud.org.br/2009/imprensa/ultimas_noticias/ultimas_2009/noticias_2009/ultima25_11_2009.html Ofício FRENTAS N.º 075/2009 / Resposta da Fenajufe http://www.cidadedaluz.com.br/site/medrado/atarde_full.php?subaction=showfull&id=1259137822&archive=&start_from=&ucat=2& / http://www.balacobako.com.br/LerColunas.php?idc=6&idm=5294
http://concursos.correioweb.com.br/forum/viewtopic.php?t=108373&postdays=0&postorder=asc&start=1820
Escrito por Luis Dantas às 08h21
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Mais links sobre o escândalo que é a administração pública do DF: http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br/arch2009-12-01_2009-12-31.html#2009_12-03_04_46_30-10045644-0 http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4135960-EI7896,00-Novo+video+de+mensalao+do+DEM+cita+deputados+do+PMDB.html
Escrito por Luis Dantas às 08h05
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O que mais me impressiona neste novo escândalo envolvendo José Roberto Arruda (novo, sim, pois apesar do que os eleitores brasilienses parecem conseguir lembrar, as cores desse político já haviam sido amplamente expostas em 2001 quando ele admitiu ter chantageado seus próprios colegas de senado) é a apatia da população. Será que chegamos ao ponto em que não é preciso sequer tentar fingir acreditar no que nossos políticos alegam? Aparentemente sim, se o Deputado Distrital Rubens César Brunelli Júnior, o Brunelli, for alguma indicação. Afinal, o atual Corregedor da Câmara (!), que segundo sua página oficial na CLDF recebeu Moção de Louvor da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro pela defesa do povo evangélico no Distrito Federal, prestou-se alegremente ao papel de louvar ao Senhor para agradecer pela graça de receber vergonhoso suborno. Ele é Corregedor, garante ser humilde Servo de Deus, e nenhuma das duas coisas, juntas ou separadas, basta para que ele entenda que deveria pelo menos tentar ser honesto... Igualmente vergonhosa é a preocupação em tentar transferir a responsabilidade do escândalo para seu antigo comparsa e atual adversário político, Joaquim Roriz. Não que Roriz seja muito melhor do que Arruda, muito pelo contrário. Mas não se pode tolerar que a atenção seja desviada dessa forma. http://www.dzai.com.br/blog/blogdaanamariacampos http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/12/02/cidades,i=158402/EM+ENTREVISTA+EXCLUSIVA+ARRUDA+DIZ+QUE+RORIZ+QUER+GANHAR+NO+TAPETAO.shtml http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/12/02/cidades,i=158410/RORIZ+SOUBE+DA+OPERACAO+DA+PF+COM+ANTECEDENCIA.shtml http://ateusdobrasil.com.br/noticias/corrupcao-no-df-tem-ate-oracao/ http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1168530-7823-GRAVACOES+REVELAM+DE+ONDE+SAIA+O+DINHEIRO+DO+MENSALAO+DO+DF,00.html http://uolpolitica.blog.uol.com.br/arch2009-11-29_2009-12-05.html#2009_12-02_06_28_08-9961110-0
Escrito por Luis Dantas às 09h19
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Eu queria entender por que sempre que um político é desmascarado como participante ativo de algum escândalo, fala-se de renúncia, de impeachment, mas nunca em julgá-lo e prendê-lo...
Escrito por Luis Dantas às 08h52
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O atual governador do Distrito Federal fez campanha a partir da alegação de que, mesmo tendo confessado chantagear e manipular seus próprios colegas de Senado a respeito de votações que deveriam ser secretas, ele "não havia ficado rico" e merecia ser reeleito - primeiro como Deputado Federal, depois como Governador. Na época eu fui criticado por comentar que candidato por candidato, sou mais o Fernandinho Beiramar, que pelo menos é mais honesto quanto a si mesmo. Agora, aparentemente, ninguém acredita que um criminoso confesso e mal arrependido possa ter cometido mais crimes. Vai entender. É uma vergonha para o partido DEM que o acolheu. Mas é uma vergonha muito maior ainda para o eleitorado brasiliense, que sabia que ele era um criminoso ralé e o elegeu mesmo assim. Links: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u658893.shtml http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4126910-EI7896,00-Arruda+diz+que+irregularidades+nao+comecaram+no+seu+governo.html http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4126534-EI7896,00-DEM+apoia+decisao+de+governador+do+DF+de+nao+se+pronunciar.html http://indexet.investimentosenoticias.com.br/arquivo/2001/05/16/28/PLANALTO-FHC-nega-acordo-para-salvar-ACM-e-Arruda.html http://indexet.investimentosenoticias.com.br/arquivo/2001/05/03/609/SENADO-Parlamentares-defendem-punicao-a-ACM-e-Arruda.html http://www.youtube.com/watch?v=Wf7DsNgP9EU http://jusvi.com/noticias/7040 http://www.radiobras.gov.br/anteriores/2001/sinopses_2004.htm http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u18692.shtml http://indexet.investimentosenoticias.com.br/arquivo/2001/05/07/540/SENADO-Arruda-usara-imprensa-para-se-defender.html http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/iq160520017.htm http://www.gs1.com.br/GestaoDaIndignidade.htm http://srv-net.diariopopular.com.br/27_04_01/as260417.html http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/11/27/cidades,i=157569/LIDER+DO+DEM+DIZ+QUE+PARTIDO+MANTEM+CONFIANCA+EM+GOVERNADOR+DO+DF.shtml
Escrito por Luis Dantas às 10h44
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Consequências do Sistema de Cotas Raciais
Provavelmente era inevitável... https://conteudoclippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/11/20/o-tribunal-racial-da-unb
Escrito por Luis Dantas às 11h29
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A Lei É Dura Mas É Lei
No Texas, a resistência ao casamento entre pessoas do mesmo gênero chegou a tal ponto que, poucos anos atrás, tornaram todos os casamentos ilegais. É um episódio desconcertante ao ponto de ser engraçado, e não deixa de evidenciar o quão ridículo é querer tornar a lei superior ao bom senso e à clareza de metas, valores e propósitos... o que, interessantemente, até mesmo texanos conservadores acabam por ter de admitir desta feita.
Escrito por Luis Dantas às 12h18
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Extratos do blog "O Pico da Montanha":
11 de novembro de 2009 P: - consta que Buda se lembrou de todas as suas vidas passadas; - noutro trecho, Buda diz que o "eu" não existe. Fiquei num impasse: se o "eu" não existe, QUEM viveu todas as vidas das quais ele se lembrava?
R: Boa pergunta. Primeiro: O Eu existe, mas é um fenômeno transitório, o produto da operação mental. Segundo: Não há um eu sobrevivente, mas uma onda de carma que se move e se manifesta em numerosas mentes diversas ao longo do tempo, há uma continuidade nisto, mas não de um eu ou de uma identidade. Em outras palavras é o carma que manifesta eus por gerar mentes que operam. Lembrar-se de manifestações passadas é acessar a memória de numerosos eus diversos na consciência depósito universal (alaya vijnana).
12 de novembro de 2009 E por isto na Escola Soto, Dogen já ensinou assim: sente, sem procurar atingir a iluminação, só pratique aqui sentado porque já é uma mente iluminada a mente sentada ou tem grande potencial de ser. Não tente alcançar nada porque se você ambicionar alcançar isto também vira outra armadilha. Uma mente aquisitiva, um materialismo espiritual, a tentativa de obter algo para si mesmo. Não precisa. Só sente e olhe, mais nada.
Às vezes a palavra zen é muito mal usada. Quando dizemos, esta pessoa é zen. Não. Zen também é encontrar a infelicidade, o sofrimento, então devemos andar dentro do sofrimento completamente. Saber sofrer também é a prática do zen. Entender a infelicidade completamente, percebê-la inteiramente. O pensamento que vem com ela, o sofrimento que vem com ela, a angústia que vem com ela também.
Escrito por Luis Dantas às 12h07
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Quais são os meus direitos? Cabe a mim dizer, não a algum outro.
Me surpreende que haja quem fale em consultar um advogado (ou juiz) para "conhecer os seus direitos"; afinal, direitos são um assunto que pertence à filosofia ética e à cidadania, não à Lei ou à Jurisprudência. Direitos são construídos com atos, principalmente atos de tomadas de responsabilidades e de compromissos. Causa-me espécie saber que há quem veja sentido em recorrer a intermediários externos e privilegiados, não raro pagando-os regiamente e dedicando-lhes enormes quantidades de tempo e atenção, supostamente para "conhecer" seus próprios direitos. A implicação seria de que as pessoas normalmente não conhecem os seus próprios direitos, não tem uma boa noção do que fizeram ou não por merecer. O que é no mínimo estranho. O que normalmente se busca com advogados não é o conhecimento de nossos direitos. É, na verdade, algo completamente diferente, e que com muito mais propriedade deveria ser chamado de disputa por trunfos, conquistas, garantias ou privilégios. São palavras muito mais adequadas do que "direitos", pois por definição o que é de nosso direito antes de uma contenda legal e/ou jurídica continua sendo essencialmente o mesmo após essa contenda ter sido empreendida e concluída. Disposição para empregar meios legais ou jurídicos não aumenta ou diminui nossos direitos, nem poderia ou deveria fazê-lo; serve apenas para mudar a postura de outros, principalmente autoridades com poder político e de outros tipos, perante nós. O mito da "descoberta dos direitos" por vias legais e jurídicas me parece ser uma manifestação do apelo do Realismo Fantástico, aquela forma de perceber o mundo que se caracteriza pelo firme desejo de enxergar nas sombras da nossa realidade cotidiana os sinais que indicariam a promessa de um "outro mundo", de claro apelo escapista, repleto de maravilhas ao mesmo tempo muito próximas e completamente distintas de nossas experiências rotineiras, prontas para nos recompensar pela paciência em aguentar um cotidiano tão sem sal e sem graça e nos atender em nossos desejos e necessidades ocultas. É um apelo bastante forte, pois em tese seria possível que a realidade assim fosse. Por esse ótica, o fato de que "ainda" não há evidências claras desses prodígios torna-se uma força em vez de uma fraqueza, pois o que não está provado não pode ser desprovado; o que não tem evidências não pode ser posto em descrédito. Ao mesmo tempo que é pobre, essa fé sem evidências é também teimosa e renitente, quase impossível de se abalar porque sua única sustentação é a vontade de se crer nela. Não é muito diferente quando alguém "busca seus direitos" sem sequer pausar para considerar a contradição lógica inerente à própria idéia de que possa ou deva buscar aquilo que supostamente já é nosso. Para essas pessoas, parece natural que seus próprios direitos sejam algum tipo de segredo ou mistério a ser desvendado ou revelado por agentes externos mediante solicitação, em vez de serem uma parte sólida, consolidada e rotineiramente acessível da nossa percepção de nós mesmos e de nossa relação com a sociedade. Tentar sustentar essa contradição viva é uma opção muito popular. E, naturalmente, só pode ser sustentada através do pagamento do preço necessário. Esse preço é a necessidade de se manter constantemente e intencionalmente confuso a respeito de seus próprios direitos e deveres. Sim, deveres, pois como se sabe, direitos não podem jamais existir sem os deveres correspondentes. Acompanhando essa intencional ignorância sobre nossos próprios direitos e deveres, vem uma noção igualmente auto-sabotada do nosso valor próprio e de nossos papéis enquanto cidadãos, enquanto membros da sociedade. Em suma, trata-se de um fracasso intencional em compreender nossas obrigações e direitos inerentes de cidadania. Por que? Porque para que mantenhamos viva a esperança de eventualmente descobrirmos que de alguma forma merecemos mais do que temos recebido, mais do que os fatos nos indicam nos ser devido, é preciso manter a questão em aberto, é preciso adiar indefinidamente a definição de nossos devidos valores e papéis enquanto pessoas e cidadãos. Ter uma resposta clara e assumir a responsabilidade por ela fecha a porta do encantamento do desconhecido. Acontece, porém, que esse preço é de fato inaceitavelmente alto, nocivo e imoral, pois quando não se tem uma noção clara e sólida do que viria a ser um cidadão e de quais são as consequências da cidadania - tanto os direitos quanto os deveres - a consequência natural e inevitável é uma desconexão, uma falta de compromisso que nos impossibilita de exercermos essa cidadania de qualquer forma significativa. Quem não sabe ou não aceita o seu papel na sociedade não tem como cumpri-lo de forma saudável, afinal de contas. É dessa forma, por esse mecanismo, que a supervalorização que nossa cultura oferece para as atividades legais e jurídicas (chamadas em português, muito impropriamente, de "Direito", em constraste por exemplo com o uso anglófono da palavra "Law", ou seja, Lei, muito mais honesta e adequada) acaba por ser no final das contas, e contra as esperanças de alguns bem-intencionados e o fanatismo míope de muitos outros, não uma auxílio e sim uma grave ameaça ao tecido da sociedade. Sociedades precisam de ampla atitude cívica para se sustentar, e a glorificação do "Direito" legal e jurídico acaba por encorajar o abandono e o descaso para com essa insubstituível atitude cívica.
Escrito por Luis Dantas às 21h26
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Crença não é Fé, ou o que a Religião Deveria Ser.
Quando era pequeno, eu não entendia por que se falava da existência de Deus e da crença nessa existência como se fossem coisas importantes, ao mesmo tempo que se agia como se fossem apenas maneiras convenientes de mudar de assunto e criar um senso de união (mesmo que esse fosse um senso de união frágil e superficial). Com o passar do tempo, e depois de passar pela curiosa experiência de ser catequisado e prestar Primeira Comunhão contra a minha vontade (de fato, sem sequer ser consultado, certamente porque sabiam que eu teria me recusado) e sem qualquer base significativa de sustentação filosófica ou religiosa, constatei que a minha impressão de criança não estava equivocada, embora me faltassem na época elementos e condições para desenvolvê-la; esta cultura em que vivemos realmente valoriza a crença pela crença, e a proclamação de fé como um atalho (indevido, como todos os atalhos) para o consenso. Ora, proclamar fé não é o mesmo que tê-la, e a crença nunca deixou de ser uma caricatura grotesta e inútil desta. Teimar em afirmar que se crê em Deus (por exemplo) é, em si, um ato completamente desprovido de todo e qualquer valor religioso ou moral. Entenda-se bem, não estou dizendo de forma alguma que seja errado crer em Deus, até porque não acredito que seja. O que acontece, porém, é que se trata a crença em si como se fosse de alguma forma louvável, coisa que não é e não poderia jamais ser; a crença em Deus é um ato religioso, um ato pelo qual o praticante deve assumir a responsabilidade e cuidar para que não tenha consequências indesejadas. Crer em Deus não é em si um ato transcendente, nem louvável. De fato, não serve para nada a não ser como parte da construção de conceitos e linguagem para conteúdos sutis de cada pessoa. Se esses conceitos e essa linguagem são de alguma forma verossímeis; se apresentam coerência interna; se são assimilados e empregados de forma moralmente útil, ou pelo menos defensável; e até mesmo se são realmente compatíveis com a estrutura social e psicológica da pessoa que os adotou, são questões completamente distintas e muito mais importantes do que a da eventual "verdade" (inescapavelmente subjetiva) dessa crença. No fim das contas, se, em quantos e em quais deuses alguém crê é uma questão completamente pessoal, que pouco ou nada interessa para outras pessoas. O que tem significado religioso verdadeiro não é, e jamais poderia ser, a crença no "deus certo", e sim a forma como eventualmente se utiliza a inspiração (que pode vir dessa crença ou de outras fontes que nada tem a ver com a idéia de Deus) para construir e cultivar valores, atos e atitudes morais e mentais construtivas, úteis, significativas na realidade de nossa existência interdependente e atrelada a uma série de considerações sócio-econômicas e ecológicas. A religião não se constrói com crenças, apenas se vale delas - e mesmo assim, apenas enquanto não consegue instrumentos mais sólidos e confiáveis. O que sustenta de fato a religiosidade, muito pelo contrário, são as atitudes, escolhas, decisões, metas e posturas de vida. Como bem ilustrado em vários trechos do Evangelho de Lucas da tradição cristã, o que importa é o que se faz, não aquilo em que se acredita. É válido se inspirar no Deus de Abraão, ou em algum outro, ou em nenhum, para orientar posturas religiosas. Mas nem por isso são as posturas de vida que sustentam e validam a nossa existência religiosa, em vez de uma divindade cuja própria existência é na melhor das hipóteses duvidosa.
Escrito por Luis Dantas às 15h38
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Aproveitando o momento, eis um link descrevendo como se faz Cama de Gato:
http://www.alysion.org/figures/catcradle.htm
Escrito por Luis Dantas às 19h31
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Um interessante artigo do Slate a respeito da necessidade de convencer outros a mudar de atitude. http://www.slate.com/id/2228559/pagenum/all/
Escrito por Luis Dantas às 16h56
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