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Luis Dantas


Quarta passada, dia 22, terminei a leitura de "Para Onde Ela Foi", o livro que continua a história de "Se Eu Ficar", cuja adaptação para filme de cinema tanto me impressionou pouco mais de duas semanas atrás.

Abençoado Kindle! E abençoada leitura. Gayle Forman é realmente uma autora de raro talento. Que livro visceral! Enquanto acompanhava o drama de Adam, me ocorreu que seu efeito era ainda mais intenso porque, alguns efeitos cosméticos à parte, as situações eram absolutamente verossímeis. Os dilemas de Mia e Adam são exatamente os mesmos que provavelmente aconteceram várias vezes nas vidas de muitas pessoas que você e eu conhecemos e jamais chegamos a ficar sabendo. Constatar esse fato, saber disso com tanta certeza, transforma uma história de perda, dor e decisões em um verdadeiro horror existencial. Como se pode resolver o que é absolutamente normal? Como se pode encontrar abrigo do que já está resolvido?

É bem esse o tipo de perguntas que Adam - que neste livro é promovido a protagonista e personagem de perspectiva - se pergunta repetidamente. Sua aflição em querer visceralmente simplesmente descobrir que as coisas não são como tudo indica que de fato são é inebriante, vertiginosa, aterradora até. A história que se passa praticamente toda em pouco mais de doze horas e a maior parte de seus momentos mais intensos são duas pessoas conversando sobre assuntos normais em situações normais. Como é perturbador constatar isso...

"Se Eu Ficar" era uma história sobre a aceitação da perda. "Para Onde Ela Foi", adequadamente, fala sobre o que fica depois da perda e como se lida com situações que deveriam parecer normais e aceitáveis, mas simplesmente não o são. À medida que as páginas são viradas e acompanhamos Adam em conversas tão sensatas, tão normais, a angústia cresce e precisa ser expressa. Adam é um protagonista particularmente cerebral e contido, que por vezes parece viver em dois planos de existência contrastantes ao mesmo tempo. Ele sabe exatamente quem é, o que valoriza e o que busca. E neste livro ele alcança o maior triunfo que poderia conceber: ele aprende a de fato aceitar e estar em paz com essa constatação, depois de três anos de luta.

Só de me lembrar do caminho que ele percorre e do resultado que consegue, da forma serena como diz o indizível, simplesmente porque aceitou que é a coisa certa a fazer... tenho vontade de gritar. Poucas vezes li ou experimentei de qualquer outra forma uma história tão sutilmente e poderosamente catártica.

Altamente recomendado. E poderosamente existencial. Mas prepare-se para poder chorar e quem sabe gritar um pouco, melhora o aproveitamento. Se por acaso você tem interesse por música e aprecia o efeito dessa arte na percepção dos fatos, mais um motivo para eu lhe indicar este livro. A autora explica na dedicatória que esse teve esse benefício, o que talvez ajude a explicar a sublime sofisticação da trama.



Escrito por Luis Dantas às 00h39
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Filme Recomendado: "If I Stay" (Se Eu Ficar)

"Se Eu Ficar" é uma rara celebração.  Belíssimo filme, eu alguns sentidos talvez melhor, e certamente mais visceral, do que "Diário de Uma Paixão", com o qual partilha uma série de qualidades.  Apesar de ser um filme que não tenta camuflar sua orientação para o público jovem e que usa um recurso narrativo que geralmente afasta meu interesse, é extremamente envolvente, absolutamente autêntico, e extremamente bem escrito e dirigido.  Poucas vezes vi uma ode tão bem construída aos verdadeiros valores familiares, uma homenagem tão gloriosa à necessidade de aceitar o que se tem de bom na vida.

Particularmente felizes são a cena perto do final do filme entre a protagonista e o avô, que pareceria satirizar certo filme de renome se não fosse tão completemente sensível, e uma cena tocante entre mãe e filha em um dos flashbacks.  Honestamente não sei como pode não ter sido incluída entre as citações notáveis do filme no IMDB.

Não por coincidência, é também um filme que nos apresenta constantemente os temas de renúncia e perda irreparável.  Um dos assuntos mais importantes da história é a sutil mas terrivelmente dolorosa constatação da protagonista de que chegou naquele momento da vida em que a inocência tem de ser posta de lado e as escolhas adultas são inevitáveis.

Absolutamente recomendado.  De pé.  Aplaudindo e chorando.

 



Escrito por Luis Dantas às 00h00
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