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As Expectativas Cruéis e a Orfandade Invisível - Parte 2
O QUE ACONTECE?
Acontece que todos nós somos consequência daquilo que vivenciamos. Nossas personalidades, motivações e estados emocionais são diretamente influenciados pela qualidade das nossas interações sociais, afetivas e familiares. E quanto mais ambicioso e complexo um projeto, mais se exige dessa estrutura de motivação e de auto-estima.
Por isso, quando a base inicial de estruturação afetiva (que deveria ser formada a partir do amor, atenção e companheirismo dos pais, desde bem cedo) apresenta alguma distorção ou deficiência séria (o que acontece com frequência quando o convívio familiar é envenenado por conflitos, hostilidade, ressentimentos que nunca se resolvem e mensagens contraditórias) um dos conselhos mais tolos e destrutivos que se pode oferecer é "esqueça o passado e siga em frente". Pois pessoas nessa situação, de fato, dificilmente tem algum apego ao passado. Muito pelo contrário, o que as angustia é a ausência de qualquer passado digno de ser lembrado. Seu grande desafio não é nem remotamente de desapego, mas de cultivar a capacidade de estabelecer e confiar em conexões com outras pessoas para formar um substituto para o passado que nunca tiveram.
A verdade é que na maior parte das vezes não se é suficientemente grato pela ampla ajuda e suporte que recebemos de nossos parentes e entes queridos; celebramos artistas e esportistas famosos como se tivessem feito a si próprios, mesmo sabendo que muitos outros tiveram maior mérito e menos oportunidade. Talvez porque queremos acreditar que nós mesmos estamos destinados a triunfar independentemente de sermos auxiliados, não sei ao certo. Ou talvez por vaidade e apego à idéia de que "somos" pessoas com algum tipo de força interior indomada que molda as circunstâncias ao nosso redor.
É claro que pensar assim é uma grande bobagem, como fica evidente quando se pensa por exemplo sobre certas tragédias coletivas. Infelizmente, é uma bobagem que tem consequências sérias. Uma das mais sérias é a nossa relutância em admitir o QUANTO somos responsáveis uns pelos outros, o quanto PODEMOS e DEVEMOS fazer uns em prol dos outros. A vaidade, o medo e o orgulho nos impedem de aceitar o fato até óbvio de que Ritalina, Fluoxetina, Anti-Psicóticos e outros fármacos não são mais do que caricaturas de substitutos para o colo maternal, o carinho, a atenção e o amor platônico que, de alguma forma, parecem "só fazer toda a diferença" quando os temos à mão, mas não quando faltam para quem está ao nosso lado; fingimos ignorância, e ao fazê-lo aumentamos e alimentamos o problema, levandos os carentes e desesperados a ficarem cada vez mais marginalizados, mais carentes, mais desesperados.
Escrito por Luis Dantas às 19h12
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As Expectativas Cruéis e a Orfandade Invisível - Parte 1
Outro dia uma amiga minha de muitos anos pediu que eu me matasse. Claro, não assim com essas palavras, e muito menos com essa intenção. Muito pelo contrário, é uma pessoa gentil e amorosa que nunca desejaria mal a mim ou a quem quer que seja. Ela quase ficou magoada comigo quando lhe expliquei o que estava fazendo, e imagino que alguém com um laço menos intenso comigo poderia facilmente ter simplesmente se afastado depois desse episódio. O que aconteceu exatamente? Aconteceu que ela, com a melhor das intenções, mas um conhecimento menos que acurado do assunto de que estava tratando, acabou, sem se dar conta, passando por cima dos meus sentimentos e me pressionando a deixar de lado aspectos da minha estrutura emocional que são necessários para sustentar meu senso de dignidade e minha auto-estima. No entender dela eu PRECISARIA deixar de lado tais coisas para então me dedicar a projetos importantes - projetos esses que não vale a pena sequer cogitar sem minha dignidade e auto-estima. Sinceramente, teria sido mais suave se ela em vez disso me entregasse uma corda já com o nó de forca pronto; pois aí eu não precisaria me esforçar tanto para lembrar da diferença entre o que ela dizia e o que queria realmente dizer. Além disso, eu estaria no pleno direito de me ofender com ela e reclamar da agressividade de sua atitude. Do jeito que as coisas foram, eu tive de me repetir que só PARECIA que ela estava me dizendo para me matar porque minha vida jamais faria sentido... :) Alguns meses antes, uma pessoa que conheci por circunstâncias profissionais tentou, quase casualmente, desabafar comigo sobre o quanto era fácil a vida de quem, como eu, "não tem família da qual cuidar". Não era uma pessoa particularmente honesta ou sincera, que fique bem claro, embora o sentimento seja relativamente comum também em pessoas íntegras. Neste caso foi muito mais fácil desconsiderar a tolice do que ele me dizia. Cheguei mesmo a contestá-lo na hora, com fatos que ele desconhecia sobre minha vida e minhas escolhas. Não que tenha adiantado propriamente; gente dessa estirpe são covardes autopiedosos que sempre encontrarão um motivo para esperar que outros tenham pena deles. Mas é sempre bom deixar claras as nossas fronteiras quando elas são postas à prova. Ora, então ele, que supostamente escolheu por vontade própria assumir um compromisso conjugal e ter filhos, e que portanto tem não apenas o "status" de "homem de família", com todas as pequenas mas frequentes benesses que ele traz, mas também a companhia e a atenção frequente dessa família, espera que eu sinta pena dele por isso? Devo entender que ele estava confessando que seu casamento e seu papel de pai e marido eram fracassos? Se é tão ruim, se divorcie e assuma que quer é moleza em vez de responsabilidade. Mas não vá jogar essa conversa mole para cima de mim, ora essa. Quer pena? Vai procurar no chão do galinheiro. Há quem espere algum tipo de descoberta revolucionária que abale as certezas da ciência atual. Eu também espero, de certa forma. No entanto, não acredito que muito abalo venha tão cedo das ciências naturais, que tratam da realidade física e do que é mensurável e palpável. Não, é nas ciências humanas, que tratam de objetos como a família, os papéis sociais e os direitos coletivos e individuais, que o conhecimento tem se mostrado questionável, falho, mal compreendido e mal empregado. Quando me pedem para comemorar meu isolamento e ser compreensivo com quem tem tantas vantagens que eu nunca tive, alguma coisa realmente tem de ser revista com seriedade. (continua)
Escrito por Luis Dantas às 13h13
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Microsoft, a empresa que cria problemas intencionalmente e culpa a concorrência por eles
Não é nenhum grande segredo que a Microsoft tem já há bastante tempo uma política de criar incompatibilidades desnecessariamente para aumentar artificialmente sua participação no mercado e criar insegurança entre os consumidores. Entre 1988 e 1991, a uma empresa chamada Digital Research tinha um produto chamado DR-DOS que era um forte concorrente do MS-DOS, naqueles tempos em que o Windows ainda não havia se apresentado como um sistema operacional separado do MS-DOS. A resposta da Microsoft? Modificar o Windows para que detectasse especificamente o DR-DOS e alegasse não ser compatível com o mesmo. Informação enganosa, já que de fato a compatibilidade do DR-DOS com o Windows sempre foi bastante boa. Em 1995 a Microsoft teve problemas com as leis antitruste devido a práticas como essa. A empresa não mudou muito nesse particular. Mesmo hoje, o Office 2007 (o último de uma longa linhagem de pacotes Office que consistentemente falha em manter boa compatibilidade com arquivos .DOC de versões anteriores) propõe um novo formato, o .DOCX, que tem problemas intencionais de compatibilidade com o próprio padrão ISO de documentos que a Microsoft oficialmente apóia. Por essas e outras é que quando ouço falar que algum produto Microsoft é bom, ou "melhor que a concorrência", a minha reação instintiva é simplesmente duvidar. http://www.theregister.co.uk/1999/11/05/how_ms_played_the_incompatibility/ http://en.wikipedia.org/wiki/DR-DOS#Competition_from_Microsoft http://en.wikipedia.org/wiki/DOC_(computing)
Escrito por Luis Dantas às 11h45
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TST elege ministro Milton de Moura França para a Presidência Em sessão encerrada há poucos minutos, o Tribunal Superior do Trabalho elegeu a nova direção para o biênio 2009/2010. O próximo presidente será o ministro Milton de Moura França, eleito por unanimidade pelos 27 ministros que compõem o Tribunal. Para a vice-presidência foi eleito o ministro João Oreste Dalazen, e, para a Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, o ministro Carlos Alberto Reis de Paula. A eleição observou a tradição do TST de seguir, para os cargos de direção, a ordem de antiguidade. A nova direção tomará posse no dia 2 de março. Ao proclamar o resultado, o presidente do Tribunal, ministro Rider Nogueira de Brito, destacou ser esta a primeira vez que o Tribunal elege nova direção com sua composição plena – ampliada de 17 para 27 ministros pela Emenda Constitucional nº 45/2004 (Reforma do Judiciário), esta composição só foi atingida em 2007. O ministro Rider saudou a “demonstração de maturidade e de sabedoria” do Tribunal, ao promover a alternância do poder em respeito à experiência dos magistrados. O presidente eleito, ministro Moura França, agradeceu “de coração” e também ressaltou a vocação democrática do Colegiado, que promove a sucessão num processo “respeitoso, de lealdade, fraternidade, coleguismo e unidade”. O ministro anunciou que pretende dar continuidade aos esforços que vêm sendo desenvolvidos pelo TST no sentido de aumentar sua produtividade (que fechou 2008 com 45% a mais no número de processos julgados) e, sobretudo, buscará estimular os mecanismos extrajudiciais de composição e solução de conflitos. Litigiosidade Antes da eleição, ao abrir o ano judiciário de 2009, o ministro Rider Nogueira de Brito lembrou que o desempenho do TST em 2008 causou alegria – pelo crescimento recorde na produtividade – mas também preocupação. “Fizemos a nossa parte, e bem feita, e demos o melhor de nossos esforços”, afirmou. “Mas precisamos também deixar de conceber métodos e meios de julgar mais rápido, para que possamos também julgar melhor.” A preocupação deve-se, sobretudo, à crescente demanda da sociedade. “Hoje, ao abrir o ano no Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes chamou a atenção para o excesso de litigiosidade no Brasil”, disse o presidente do TST. “É preciso que os problemas da sociedade brasileira não tenham todos de ir parar no Judiciário, é preciso desenvolver meios para evitar isso, pois não podemos crescer indefinidamente, em número de magistrados e de servidores, ainda que contemos com a grande evolução das ferramentas de informática.”
Fonte: Notícias do Tribunal Superior do Trabalho - 02 de fevereiro de 2009 As ênfases são minhas.
Escrito por Luis Dantas às 09h53
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