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Luis Dantas


Recentemente postei em um fórum algo que ilustra bem por que não vejo qualquer problema em considerar a religião independente do conceito de Deus, além de necessária e muito mais importante do que este:

Do you have a sense of the sacred? What does that phrase mean to you?

Yes, I do. To me the sacred is the attribute of things, situations, feelings, and motivations that directly involve a conscious choice of contributing to the eventual establishment of stable, vital, healthy environments. Key to that definition is some degree of intention, of purpose. Just as central is that such goal must be directly (if probably humbly) related to the artful balance between stability and vitality - a balance that is unavoidably a permanent challenge to keep, although not necessarily a difficult or hurtful challenge. Thing is, such a balance is in some very real sense actually alive; it sort of indicates its own desirable next steps as it develops. There are some who interpret that vital nature of the balance as evidence of the existence of something they call "god". Maybe they are right. I just don't see reason to agree with them, partially because I don't think they quite agree among themselves on just what "god" would be.



Escrito por Luis Dantas às 01h29
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Não é só aqui no Brasil que o Governo tem idéias exóticas sobre o seu papel: http://www.fivethirtyeight.com/2009/03/new-terri-schaivo.html



Escrito por Luis Dantas às 14h26
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Falsos dilemas sobre o uso de células-tronco

http://www3.thedailybeast.com/blogs-and-stories/2009-03-02/an-ethical-non-quandary/



Escrito por Luis Dantas às 09h36
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Um artigo sobre a mudança de perspectiva da WWW

http://www.pcpro.co.uk/blogs/2009/03/05/dreamweaver-is-dying/

Este artigo tem alguma informação da transição que já está em andamento, da WWW para a assun chamada Web 2.0. A diferença principal é a descentralização das responsabilidades de apresentação e edição de conteúdo, possibilitada por ferramentas de CMS (Content Management System, ou Sistemas de Gerenciamento de Conteúdo) como os próprios blogs, softwares de Wiki como o MediaWiki e o DokuWiki e ferramentas como o Joomla e o Drupal. Mais ou menos no meio desse caminho ficam os tradicionais fóruns PHP baseados em ferramentas como o SMF.

A tendência - mundial e irreversível - é que cada vez mais os usuários de Intranets corporativas e de sítios WWW passem a eles próprios, pessoalmente, decidir não apenas o conteúdo a ser acrescentado ou modificado, mas também a tratar de alguns aspectos da apresentação e a publicar diretamente o conteúdo, sem envolver algum tipo de gerenciamento central de conteúdo WWW.

As tarefas desse gerenciamento central de WWW passam a se concentrar (como já precisam fazer a algum tempo) na manutenção das ferramentas propriamente ditas - tarefas envolvendo o direitos de acesso, criação e ajuste de templates, atualização e homologação de ferramentas de publicação para o uso direto do usuário final, backup de conteúdo.

Não é uma mudança que pode vir a acontecer, ou mesmo que deva acontecer; é uma mudança que já está acontecendo há alguns anos, e não poderia ser evitada, por uma simples questão de escala; não há como proporcionar técnicos de informática dedicados para cada usuário interessado em publicar conteúdo WWW, até porque não existem tantos técnicos assim, muito menos interesse administrativo em contratá-los nessa quantidade. Ou os usuários passam a assumir parte da responsabilidade técnica pela publicação de conteúdo na WWW, ou suas instituições ficam decisivamente para trás na competição maior.

No entanto, bem mais do que um problema, essa é uma oportunidade para funcionários e cidadãos adquirirem um certo grau de autonomia técnica.



Escrito por Luis Dantas às 14h43
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IRPF 2009

Já é possível baixar o programa da declaração deste ano.

Enquanto não acontece ainda a disponibilização via Torrent (que seria o caminho lógico e natural), continua sendo difícil encontrar uma brecha para baixá-lo. Principalmente a versão de arquivo único, que agora alcança 11 megabytes.

Por esse motivo, recomendo que se baixe a versão em nove arquivos, que reduz o risco de ter de recomeçar do zero. Estou baixando aos poucos e disponibilizando via http://www.dantas.com/IRPF2009, inclusive as versões em Linux e o ReceitaNet 2009.  Espero melhorar a apresentação em um futuro próximo.

Ou se quiser ir direto para o ataque, baixe a cópia local que fiz.  E passe adiante, distribua; se possível,  via Torrent, como a Receita Federal deveria estar fazendo já há alguns anos.

Se tudo sair como espero, logo terei meu próprio seed Torrent para estes programas.

Vejam também: http://www.gfsolucoes.net/gustavo/curiosidade/receita-libera-download-do-irpf-2009/



Escrito por Luis Dantas às 08h48
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IRPF 2009

Já é possível baixar o programa da declaração deste ano.

Enquanto não acontece ainda a disponibilização via Torrent (que seria o caminho lógico e natural), continua sendo difícil encontrar uma brecha para baixá-lo. Principalmente a versão de arquivo único, que agora alcança 11 megabytes.

 

Por esse motivo, recomendo que se baixe a versão em nove arquivos, que reduz o risco de ter de recomeçar do zero. Estou baixando aos poucos e disponibilizando via . Se tudo sair como espero, logo terei uma cópia para acesso via Torrent também.



Escrito por Luis Dantas às 08h44
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As Expectativas Cruéis e a Orfandade Invisível - Parte 2

O QUE ACONTECE?

Acontece que todos nós somos consequência daquilo que vivenciamos.  Nossas personalidades, motivações e estados emocionais são diretamente influenciados pela qualidade das nossas interações sociais, afetivas e familiares.  E quanto mais ambicioso e complexo um projeto, mais se exige dessa estrutura de motivação e de auto-estima.

Por isso, quando a base inicial de estruturação afetiva (que deveria ser formada a partir do amor, atenção e companheirismo dos pais, desde bem cedo) apresenta alguma distorção ou deficiência séria (o que acontece com frequência quando o convívio familiar é envenenado por conflitos, hostilidade, ressentimentos que nunca se resolvem e mensagens contraditórias) um dos conselhos mais tolos e destrutivos que se pode oferecer é "esqueça o passado e siga em frente".  Pois pessoas nessa situação, de fato, dificilmente tem algum apego ao passado.  Muito pelo contrário, o que as angustia é a ausência de qualquer passado digno de ser lembrado.  Seu grande desafio não é nem remotamente de desapego, mas de cultivar a capacidade de estabelecer e confiar em conexões com outras pessoas para formar um substituto para o passado que nunca tiveram.

A verdade é que na maior parte das vezes não se é suficientemente grato pela ampla ajuda e suporte que recebemos de nossos parentes e entes queridos; celebramos artistas e esportistas famosos como se tivessem feito a si próprios, mesmo sabendo que muitos outros tiveram maior mérito e menos oportunidade.  Talvez porque queremos acreditar que nós mesmos estamos destinados a triunfar independentemente de sermos auxiliados, não sei ao certo.  Ou talvez por vaidade e apego à idéia de que "somos" pessoas com algum tipo de força interior indomada que molda as circunstâncias ao nosso redor.

É claro que pensar assim é uma grande bobagem, como fica evidente quando se pensa por exemplo sobre certas tragédias coletivas.  Infelizmente, é uma bobagem que tem consequências sérias.  Uma das mais sérias é a nossa relutância em admitir o QUANTO somos responsáveis uns pelos outros, o quanto PODEMOS e DEVEMOS fazer uns em prol dos outros.  A vaidade, o medo e o orgulho nos impedem de aceitar o fato até óbvio de que Ritalina, Fluoxetina, Anti-Psicóticos e outros fármacos não são mais do que caricaturas de substitutos para o colo maternal, o carinho, a atenção e o amor platônico que, de alguma forma, parecem "só fazer toda a diferença" quando os temos à mão, mas não quando faltam para quem está ao nosso lado; fingimos ignorância, e ao fazê-lo aumentamos e alimentamos o problema, levandos os carentes e desesperados a ficarem cada vez mais marginalizados, mais carentes, mais desesperados.



Escrito por Luis Dantas às 19h12
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As Expectativas Cruéis e a Orfandade Invisível - Parte 1

Outro dia uma amiga minha de muitos anos pediu que eu me matasse.

Claro, não assim com essas palavras, e muito menos com essa intenção. Muito pelo contrário, é uma pessoa gentil e amorosa que nunca desejaria mal a mim ou a quem quer que seja. Ela quase ficou magoada comigo quando lhe expliquei o que estava fazendo, e imagino que alguém com um laço menos intenso comigo poderia facilmente ter simplesmente se afastado depois desse episódio.

O que aconteceu exatamente? Aconteceu que ela, com a melhor das intenções, mas um conhecimento menos que acurado do assunto de que estava tratando, acabou, sem se dar conta, passando por cima dos meus sentimentos e me pressionando a deixar de lado aspectos da minha estrutura emocional que são necessários para sustentar meu senso de dignidade e minha auto-estima. No entender dela eu PRECISARIA deixar de lado tais coisas para então me dedicar a projetos importantes - projetos esses que não vale a pena sequer cogitar sem minha dignidade e auto-estima.

Sinceramente, teria sido mais suave se ela em vez disso me entregasse uma corda já com o nó de forca pronto; pois aí eu não precisaria me esforçar tanto para lembrar da diferença entre o que ela dizia e o que queria realmente dizer. Além disso, eu estaria no pleno direito de me ofender com ela e reclamar da agressividade de sua atitude. Do jeito que as coisas foram, eu tive de me repetir que só PARECIA que ela estava me dizendo para me matar porque minha vida jamais faria sentido... :)

Alguns meses antes, uma pessoa que conheci por circunstâncias profissionais tentou, quase casualmente, desabafar comigo sobre o quanto era fácil a vida de quem, como eu, "não tem família da qual cuidar". Não era uma pessoa particularmente honesta ou sincera, que fique bem claro, embora o sentimento seja relativamente comum também em pessoas íntegras.

Neste caso foi muito mais fácil desconsiderar a tolice do que ele me dizia. Cheguei mesmo a contestá-lo na hora, com fatos que ele desconhecia sobre minha vida e minhas escolhas. Não que tenha adiantado propriamente; gente dessa estirpe são covardes autopiedosos que sempre encontrarão um motivo para esperar que outros tenham pena deles. Mas é sempre bom deixar claras as nossas fronteiras quando elas são postas à prova.

Ora, então ele, que supostamente escolheu por vontade própria assumir um compromisso conjugal e ter filhos, e que portanto tem não apenas o "status" de "homem de família", com todas as pequenas mas frequentes benesses que ele traz, mas também a companhia e a atenção frequente dessa família, espera que eu sinta pena dele por isso? Devo entender que ele estava confessando que seu casamento e seu papel de pai e marido eram fracassos?

Se é tão ruim, se divorcie e assuma que quer é moleza em vez de responsabilidade. Mas não vá jogar essa conversa mole para cima de mim, ora essa. Quer pena? Vai procurar no chão do galinheiro.

Há quem espere algum tipo de descoberta revolucionária que abale as certezas da ciência atual. Eu também espero, de certa forma. No entanto, não acredito que muito abalo venha tão cedo das ciências naturais, que tratam da realidade física e do que é mensurável e palpável. Não, é nas ciências humanas, que tratam de objetos como a família, os papéis sociais e os direitos coletivos e individuais, que o conhecimento tem se mostrado questionável, falho, mal compreendido e mal empregado. Quando me pedem para comemorar meu isolamento e ser compreensivo com quem tem tantas vantagens que eu nunca tive, alguma coisa realmente tem de ser revista com seriedade.

(continua)



Escrito por Luis Dantas às 13h13
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Microsoft, a empresa que cria problemas intencionalmente e culpa a concorrência por eles

Não é nenhum grande segredo que a Microsoft tem já há bastante tempo uma política de criar incompatibilidades desnecessariamente para aumentar artificialmente sua participação no mercado e criar insegurança entre os consumidores.  Entre 1988 e 1991, a uma empresa chamada Digital Research tinha um produto chamado DR-DOS que era um forte concorrente do MS-DOS, naqueles tempos em que o Windows ainda não havia se apresentado como um sistema operacional separado do MS-DOS.

A resposta da Microsoft?  Modificar o Windows para que detectasse especificamente o DR-DOS e alegasse não ser compatível com o mesmo.  Informação enganosa, já que de fato a compatibilidade do DR-DOS com o Windows sempre foi bastante boa.  Em 1995 a Microsoft teve problemas com as leis antitruste devido a práticas como essa.

A empresa não mudou muito nesse particular.  Mesmo hoje, o Office 2007 (o último de uma longa linhagem de pacotes Office que consistentemente falha em manter boa compatibilidade com arquivos .DOC de versões anteriores) propõe um novo formato, o .DOCX, que tem problemas intencionais de compatibilidade com o próprio padrão ISO de documentos que a Microsoft oficialmente apóia.

Por essas e outras é que quando ouço falar que algum produto Microsoft é bom, ou "melhor que a concorrência", a minha reação instintiva é simplesmente duvidar.

 

http://www.theregister.co.uk/1999/11/05/how_ms_played_the_incompatibility/

http://en.wikipedia.org/wiki/DR-DOS#Competition_from_Microsoft

http://en.wikipedia.org/wiki/DOC_(computing)



Escrito por Luis Dantas às 11h45
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TST elege ministro Milton de Moura França para a Presidência

 

Em sessão encerrada há poucos minutos, o Tribunal Superior do Trabalho elegeu a nova direção para o biênio 2009/2010. O próximo presidente será o ministro Milton de Moura França, eleito por unanimidade pelos 27 ministros que compõem o Tribunal. Para a vice-presidência foi eleito o ministro João Oreste Dalazen, e, para a Corregedoria-Geral da Justiça do Trabalho, o ministro Carlos Alberto Reis de Paula. A eleição observou a tradição do TST de seguir, para os cargos de direção, a ordem de antiguidade. A nova direção tomará posse no dia 2 de março.


Ao proclamar o resultado, o presidente do Tribunal, ministro Rider Nogueira de Brito, destacou ser esta a primeira vez que o Tribunal elege nova direção com sua composição plena – ampliada de 17 para 27 ministros pela Emenda Constitucional nº 45/2004 (Reforma do Judiciário), esta composição só foi atingida em 2007. O ministro Rider saudou a “demonstração de maturidade e de sabedoria” do Tribunal, ao promover a alternância do poder em respeito à experiência dos magistrados.

O presidente eleito, ministro Moura França, agradeceu “de coração” e também ressaltou a vocação democrática do Colegiado, que promove a sucessão num processo “respeitoso, de lealdade, fraternidade, coleguismo e unidade”. O ministro anunciou que pretende dar continuidade aos esforços que vêm sendo desenvolvidos pelo TST no sentido de aumentar sua produtividade (que fechou 2008 com 45% a mais no número de processos julgados) e, sobretudo, buscará estimular os mecanismos extrajudiciais de composição e solução de conflitos.


Litigiosidade

Antes da eleição, ao abrir o ano judiciário de 2009, o ministro Rider Nogueira de Brito lembrou que o desempenho do TST em 2008 causou alegria – pelo crescimento recorde na produtividade – mas também preocupação. “Fizemos a nossa parte, e bem feita, e demos o melhor de nossos esforços”, afirmou. “Mas precisamos também deixar de conceber métodos e meios de julgar mais rápido, para que possamos também julgar melhor.”

A preocupação deve-se, sobretudo, à crescente demanda da sociedade. “Hoje, ao abrir o ano no Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes chamou a atenção para o excesso de litigiosidade no Brasil”, disse o presidente do TST. “É preciso que os problemas da sociedade brasileira não tenham todos de ir parar no Judiciário, é preciso desenvolver meios para evitar isso, pois não podemos crescer indefinidamente, em número de magistrados e de servidores, ainda que contemos com a grande evolução das ferramentas de informática.”


Fonte: Notícias do Tribunal Superior do Trabalho - 02 de fevereiro de 2009

As ênfases são minhas.



Escrito por Luis Dantas às 09h53
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Uma análise sobre o impacto das Wikis



Escrito por Luis Dantas às 19h50
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Outro motivo por que coisas ruins acontecem com pessoas boas

Alguns meses atrás tornou-se possível aos cidadãos da Califórnia casar-se legalmente com parceiros do mesmo sexo.  Entre os que o fizeram está o ator George Takei, que representou o personagem Sulu de Jornada nas Estrelas.

No entanto, não há consenso sobre quão válidas de um ponto de vista legal são essas uniões.  Principalmente depois que uma iniciativa chamada de "Proposta Oito" foi votada e aprovada, poucos meses depois.  A Proposta Oito, em resumo, afirma explicitamente que um casamento só pode acontecer entre um homem e uma mulher, impedindo a realização de novos casamentos legais no Estado da Califórnia e pondo em dúvida a situação dos matrimônios de mesmo sexo já realizados.  A disputa pela votação da Proposta Oito foi acirrada, e inicialmente chegou a parecer que não seria aprovada.

No fim, porém, a proposta foi aprovada, para enorme decepção da esperançosa comunidade de homossexuais, bissexuais e simpatizantes da Califórnia e de muitos outros Estados norte-americanos.  Inclusive de outros que estão mais longe, como eu.

A realidade norte-americana é bem diferente da brasileira - e a mentalidade da população, mais ainda - mas neste assunto em particular me parece adequado trazer a discussão para cá.

Um pouco de contexto: o sistema legal norte-americano é bem mais descentralizado do que o brasileiro.  Lá juízes e delegados são eleitos pelo voto popular da mesma forma como vereadores são eleitos aqui, e medidas com efeito legal como a Proposta Oito não partem necessariamente de algum órgão burocrático governamental; podem ser iniciativas da própria comunidade, como me parece ter sido o caso.  A Proposta Oito teve, naturalmente, muito apoio da parte de segmentos mais conservadores da população norte-americana.  A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mais casualmente conhecida como SUD ou vulgarmente "Mórmons", tornou-se alvo constante de críticas porque muitos de seus filiados apoiaram a medida e financiaram a campanha indiretamente.  Alguns de seus dirigentes declararam publicamente que os Mórmons eram livres para votar como achassem melhor, embora ao mesmo tempo anunciassem uma clara preferência pela aprovação da medida.

Diretamente atingida, a comunidade GLS naturalmente não deixou de se mobilizar, e em grandes números.  O confronto entre os dois lados tornou-se por vezes apaixonado e levou a algumas situações de hostilidade que ainda causam muita controvérsia e mal-estar.  Alguns Mórmons consideram excessiva e violenta a reação GLS.  Não vou entrar no mérito de quão justificada é essa queixa, até porque não me sinto bem informado a respeito.  Em vez disso, apresento baixo a tradução de uma postagem minha sobre o assunto no fórum religiousforums.com


Apesar de saber que a posição oficial da Igreja dos SUD sobre o assunto permite que os membros votem como quiserem, me surpreendi pelo grau de hostilidade geral aos gays que há entre eles. Isso me deu um bocado sobre o que pensar nos últimos meses.

E acho que agora tenho uma compreensão melhor sobre a perspectiva deles. Em termos gerais, a Proposta Oito era, do ponto de vista homossexual, uma tentativa de reduzir os seus direitos civis. Mas alguns conservadores, inclusive muitos Mórmons e aparentemente também seus líderes, se deram o trabalho de inclusive criar tal documento e apoiá-lo. E são tantos que, surpreendentemente, ela de fato foi aprovada.

Como isso pode ter acontecido? Deixando de lado as primeiras impressões, só pode ser porque a despeito de todo o choque que a Proposta causa, muitos de seus proponentes estão agindo com motivação sincera, e não necessariamente por ódio ou malícia.

Passei um bom tempo tentando entender essa situação, até que decidi extrapolar a partir de minha experiência com membros da SUD (alguns parentes distantes são membros, e a minha primeira namorada era uma Mórmon dedicada. É também uma moça graciosa em todos os aspectos, diga-se de passagem :) . Seus argumentos (nota de esclarecimento: os dos foristas pró-proposta oito que postaram no religiousforums.com) contra o casamento de mesmo sexo eram, talvez naturalmente, bons indícios (ainda que incompletos) para indicar sua forma de pensar.

Concluí portanto que muitos membros da SUD e outras pessoas, que por conveniência imediata chamarei aqui de "conservadores sociais", de fato sentem-se ameaçadas e incomodadas diante da idéia de casamentos de mesmo sexo. Para nós, trata-se de atualizar a lei para que reconheça devidamente um direito natural. Mas para eles é algo completamente diferente.

No início eu considerava a idéia de oferecer aos homossexuais algum tipo de união civil com "os mesmos direitos" de um casamento um insulto e uma ofensa.  Ainda penso assim.  Mas os que fazem essa proposta agem, muitas vezes, motivados por ingenuidade e não por malícia.

Os Mórmons se esforçam bastante para cultivar e proteger um modelo de família bastante tradicional; esse é um valor muito importante para eles, embora não estejam necessariamente escolhendo as melhores formas de protegê-lo.  E em sua origem, é de fato um modelo muito belo.  É fácil esquecer hoje em dia que há um motivo para que a mentalidade de procurar se casar bem cedo, ter uma relação de exclusividade dedicada e criar filhos juntos tenha sido tão difundida por tanto tempo; seu atrativo é forte e saudável, pelo menos quando as condições adequadas se apresentam.

Claro que também há uma boa razão para que um modelo aparentemente tão perfeito tenha sido praticamente abandonado desde a década de 1960. Muitas razões, aliás, e não foram suficientemente compreendidas ainda. Destaca-se entre elas o desejo de preferir a felicidade em vez do compromisso quando é preciso escolher entre um ou outro. Não são muitas as pessoas que tem como meta de vida o divórcio ou a vida de maternidade ou paternidade solteira - e, sinceramente, é em algum grau doentio ter tal tipo de meta - mas a verdade nua e crua é que há muitas uniões que não vale a pena tentar salvar.

Eu não apóio e não poderia jamais apoiar o tipo de discriminação que iniciativas como a Proposta Oito representam. São iniciativas destrutivas, e me incomoda muitíssimo vê-las sendo levadas a sério, ainda mais quando chegam a tomar uma forma concreta e se inclusive votadas. Ao mesmo tempo, vejo muito benefício em tentar entender a perspectiva e as motivações dos que apóiam essas iniciativas. Benefício tanto direto quanto indireto, pois essa compreensão permite a construção de melhores estratégias para nos defendermos da discriminação e de suas nefastas consequências. Me escandaliza e deprime ver gente falar tão casualmente de homossexuais como se fossem algum tipo de criatura exótica que decidiu seguir "caminhos sombrios". No entanto, apesar de verdadeiramente repulsivas, essas atitudes são consequências diretas (ainda que muito equivocadas) de um desejo de cuidar de valores sociais e morais que são, sim, preciosos.

Fico por vezes perplexo. Sério. Mas no passado eu já tive expectativas altas a respeito de outras pessoas, da mesma forma que elas também tem. Meu processo pessoal de desilusão com as outras pessoas foi bastante dolorido. Custei a aceitar que tantas pessoas estejam tão distantes dos mesmos valores que garantem ser fundamentais, e custei a aceitar que tantas pessoas sejam simplesmente cínicas. Não posso censurar os membros da SUD de forma alguma por seu desejo de proteger valores que eu próprio gostaria de ver melhor preservados. Chega a ser inspirador ver esse objetivo neles.

Ou seria, pelo menos. Seria, se esse objetivo não os levasse por vezes a desrespeitar tão diretamente a dignidade e os direitos de pessoas que não se ajustam nessa visão de mundo. Só posso imaginar que alguns deles realmente acreditam (por exemplo) que homossexualidade é uma escolha consciente, e que portanto os homossexuais "merecem" o que lhes acontece. Eles estão errados, claro, mas só posso imaginar que acreditem nisso; seria preciso ser muito monstruoso para magoar tanta gente, tão seriamente e ainda por cima mentir descaradamente sobre os motivos. Eu simplesmente não acredito que haja muita gente assim.

No meu entender, a hostilidade que os Mórmons e outros conservadores sociais tem pelos homossexuais é um lamentável erro, um erro bastante sério e injusto.  Mas hostilidade vinda do outro sentido, de liberais ou homossexuais e dirigida a conservadores, não é muito melhor.  O melhor a fazer é, quase certamente, dedicar-nos a uma discussão séria e honesta, amparada por um esforço de relações-públicas amistoso, que exponha sem agressividade os motivos e benefícios para o reconhecimento dos casamentos de mesmo sexo.  Não éum crime ser homossexual, e não é uma falha moral buscar uma família tradicional.  Mas é tolice (ou pior) negligenciar a necessidade de explicar os motivos para os muitos que não conseguem aceitá-los com serenidade.  As pessoas não podem deixar de sentir desconforto, medo e eventualmente hostilidade diante daqueles que exercem estilos de vida que contrastam com os seus próprios, a não ser que algum esforço seja feito para mostrar respeito mútuo e pelo menos tentativas de compreensão e diálogo desarmado.

Some will say that it is a private matter, and no need for reaching out should exist. I respectfully disagree. Families are the brickstone of society and a very high social priority, in this much I wholeheartedly agree with social conservatives. Call me naive or silly - I probably deserve it, even - but the truth of the matter is that I felt shocked for more than a little while when I first came to understand how far apart the appearances and the reality of our society (well, I'm brazilian, but it is perhaps not too much to extrapolate in this way) went in the matters of family, sex and marriage. It is probably naive to want to believe in some sort of certainity that men and women will want to marry and raise children with each other, and that they will be happy and motivated at it. But it is often quite painful to realize that facts do not much cooperate with such a dream. Also, and this is often overlooked or unduly generalized, people who are hurt by unhappy circunstances may and often do spread such unhappiness in various ways, not always against their own wishes. There _are_ people who are both "unconventional" in the broad sense and dangerous or unbalanced. They're far less the rule than some conservatives would want to believe, however.

É vergonhoso supor que mães (ou pais) solteiras, divorciados ou homossexuais sejam "menos honrados" de alguma forma. Mas também é vergonhoso deixar de entender que, em sua origem, a reação conservadora é uma reação de medo, praticamente pânico, e só pode ser evitada de forma eficaz através da recusa em alimentar os motivos desse medo. Os não-conservadores devem se organizar, se preparar, tornar-se sábios e hábeis a ponto de alcançar uma comunicação eficaz e desarmada com os conservadores e com isso convencê-los a oferecer o respeito, o reconhecimento de que são pessoas plenas e dignas. É bem verdade que os próprios conservadores frequentemente se recusam a cooperar, mas a necessidade de convencê-los não deixa de existir por isso.



Escrito por Luis Dantas às 08h36
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Cazuza

http://www.via6.com/topico.php?tid=110561

O texto desse link já diz tudo.

Não obstante, parece que há quem discorde, para minha completa surpresa:

 

http://www.rafaelmm.net/blog/?p=42



Escrito por Luis Dantas às 10h52
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Ônibus na Praça Rui Barbosa

Quais linhas de ônibus param na Praça Rui Barbosa de Curitiba, e onde exatamente?

Estou procurando mapear essa informação.



Escrito por Luis Dantas às 00h50
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On, Gimu, Giri e Ninjo

Para quem lê inglês, eis um interessante artigo sobre as diferenças entre a mentalidade ocidental e a japonesa.  Espero eventualmente traduzi-lo.

http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/PillarsOfMoralCharacter



Escrito por Luis Dantas às 15h57
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