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Luis Dantas


Dois livros, duas lições que se complementam

 

O Árabe do Futuro, o primeiro livro de uma trilogia autobiográfica que espero que faça muito sucesso no Brasil e seja completamente traduzida e publicada, é um livro de sinceridade devastadora, visceral.

Neste volume, o autor tem conta histórias desde antes de seu nascimento até quando tinha quatro anos de idade, e suas poucas referências de mundo vinham quase todas de uma mãe inexplicavelmente passiva e de um pai por demais apegado a superstições, delírios ingênuos de um destino grandioso, tradições opressoras e nacionalismos destrutivos.

Talvez o mais significativo de uma perspectiva brasileira seja o quão semelhantes são os efeitos nocivos da criação omissa e teísta nas crianças sírias e nas brasileiras. Mas há também uma denúncia quase acidental do apego à idéia do "bom caudilho", que nós brasileiros insistimos tanto em prestigiar, remontando pelo menos a Getúlio Vargas, mas passando também por Lula e Dilma.

 

Um País Sem Excelências e Mordomias é o tipo de livro que nos deixa com água na boca pelo que poderia ser se nós pelo menos tivéssemos a coragem de buscar...

De certa forma é também um livro autobiográfico. A autora é repórter televisiva (brasileira) e casada com um cidadão sueco. Dessa forma teve experiência em primeira mão com as muito contrastantes expectativas e fantasias que suecos e brasileiros tem a respeito de seus próprios políticos. Ainda não terminei de ler este livro, mas ele já me evidencia que não há substituto para a verdadeira maturidade política, e que só os muito ingênuos poderiam acreditar que ter um "ditador bem intencionado" seria de alguma forma desejável ou construtivo.

Não existe nação, ou mesmo cidade, sem cidadania. E não existe cidadania quando os habitantes não estão interessados no bem-estar da comunidade, em vez de apenas no seu próprio. Essa é uma lição que os suecos aprenderam de uma forma que, suspeito, muitos brasileiros no fundo não querem aceitar, que dirá aprender e praticar. Maturidade política é para quem se leva a sério, quem está mais disposto a arregaçar as mangas (e lavar e passar as roupas) do que a alegar "injustiça" e demandar exceções e privilégios.

Nesse ponto, o Brasil não apenas é um lugar miserável. É também auto-iludido ao ponto de achar que essa miséria é desejável.



Escrito por Luis Dantas às 22h15
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Um breve manifesto contra a crença em Deus

O que a crença em Deus é

Na verdade não é muita coisa. Melhor dizendo, não é praticamente nada, e talvez seja menos ainda do que nada.

O conceito de "deus" é tão vago, e tantas pessoas insistem em esticar o seu significado por qualquer pretexto e com tanta paixão, que hoje não significa praticamente nada, pelo menos sem um considerável esforço de esclarecimento e contextualização.

Nos casos mais benignos, crer em Deus parece ser acreditar que o que é sagrado merece ser tratado como se fosse um ser sentiente com uma personalidade definida. Algumas vezes atribuem a ele também a capacidade e a vontade de, inexplicavelmente, se expressar com palavras humanas e para seres humanos. É uma idéia bastante esquisita, mas por si só não chega ainda a ser nociva. Ainda.

Mas nesse estágio a crença em Deus já é uma distração bastante indesejável, uma excentricidade que só é realmente tolerável se não for levada muito a sério ou levantada com muita frequência. Pois do contrário acontece com frequência de pessoas de boa intenção que poderiam estar refletindo sobre suas ações e decisões e as respectivas consequências e as implicações éticas - ou seja, poderiam estar praticando a verdadeira religiosidade - muitas vezes se vêem sem espaço para tal porque estão cercados de gente fascinada por truques de palco, por supostos mistérios de fé sem significado ou profundidade, ou barganhas de proteção que lembram bastante a negociação que se faria com representantes da Máfia. Por tanta gente insistir em crer em Deus, a religião perde espaço para cuidar direito de si própria, o que é necessariamente muito mais importante.

Outros parecem invocar a palavra e a crença como uma defesa instintiva para sua própria vulnerabilidade à incerteza. "Deus" passa a ser, para todos os efeitos práticos, uma palavra que não significa nada e certamente não responde nem explica nada, mas serve como um sinal para os que tem aversão a assuntos difíceis começarem a agir como se tivessem certezas e respostas mesmo quando sabem que não o tem. É possível lidar construtivamente com essa etiqueta perversa e corruptora, mas não é fácil; a própria correnteza da expectativa social de concordância vazia, não raro fraudulenta até, leva as pessoas imersas nesses ambientes a se ver sem escolhas além das de ser sincero e portanto rude, ou falso e portanto socialmente aceito.

Existem estágios ainda mais doentios de crença teísta, mas vamos deixar para falar deles mais adiante.

Por que tanta gente crê em Deus?

Honestamente, tenho minhas dúvidas se são realmente tantos assim os teístas. Muita gente cresceu aprendendo que deve dizer que acredita em Deus, mas não se segue que seja realmente esse o caso. Como é um conceito de tão mísera importância, a crença na existência de um deus não tem necessariamente consequências significativas, enquanto que muitas vezes a declaração aberta da descrença tem, essa sim, consequências sociais desagradáveis. Acho possível e até provável que muita gente só não se considere ateísta porque não encontrou as circunstâncias adequadas para refletir a respeito.

Dito isto, é claro que há sim quem crê em Deus. Não que isso por si só diga muita coisa. Um dos principais motivos por que o conceito perdura até hoje é a sua falta de significado claro. Por ser tão difícil entender o que outra pessoa entende por divindade, o discurso que se focaliza nesse conceito disfarça e até oculta por completo as diferenças de opinião. Não as resolve, muito pelo contrário, mas esconde e adia as confrontações que muitos temem.

E talvez esse seja atrativo suficiente para alguns. Lidar com desentendimentos e discordâncias não é fácil. Sentir-se isolado devido a suas crenças e opiniões não é fácil. Ter motivos para duvidar da própria capacidade de cativar a cooperação de outros não é fácil.

Suponho que é apenas humano querer encontrar um pretexto para acreditar que se está entre irmãos de propósito, de valores, de metas de vida. Mas realmente não acho que devemos simplesmente nos conformar em fazê-lo ao custo de nossa honestidade com nós mesmos.

É possível ter valores sem crer em Deus?

Não é apenas possível, é consideravelmente mais fácil, mas confiável e tem mais valor.

A idéia de que seria preciso "crer em algo" - seja um Deus com características de pessoa poderosa, seja uma energia misteriosa que conduziria os rumos da existência, para citar apenas duas concepções particularmente populares - para ter algum tipo de valor ou referência moral é realmente bastante estranha.

Por que seria necessário, ou mesmo útil, "crer" para perceber que é preciso aceitar certo grau de responsabilidade pela qualidade de nosso ambiente e nosso papel na manutenção dessa qualidade?

Moralidade não vem de prescrições de textos de origem duvidosa e significados perdidos no tempo. Moralidade é uma necessidade real, não inventada. É uma atividade racional que pode e deve se orientar pela constatação de que temos necessidades e certa capacidade de ação e de influência sobre nosso meio. E que nossos semelhantes também as tem. Moralidade nada mais é do que a arte e a disciplina de aprender e aceitar a responsabilidade pelos meios de zelar pelo meio ambiente, no sentido mais amplo que nossas capacidades pessoais permitam.



Escrito por Luis Dantas às 18h58
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Nota de Repúdio aos insultos de André Constantine ao Ateísmo

Recebeu certa atenção a declaração recente de André Constantine, ex-diácono da Igreja Universal do Reino de Deus.

Questionado sobre se pastores e políticos evangélicos metidos em corrupção têm fé, Constantine é taxativo: "Pra mim esses caras são os verdadeiros ateus. É tudo empresa cara, a estrutura toda funciona como empresa. E na lógica do capital a empresa foca o lucro, assim como essas instituições religiosas. A nossa sorte é que eles ainda são muito fracionados, há interesses pessoais muito grandes envolvidos. Se não estivessem tão fracionados a possibilidade de eleger um presidente evangélico seria muito maior. Olhe o Malafaia: ladrão pilantra e safado. Apoiou o Cunha, e agora sai por aí dizendo que não tem, nem nunca teve, nada com o Cunha. Esse Malafaia é um dos maiores safados e pilantras do Brasil", acusa o ex-diácono.

Em certo momento desabafei no Facebook, ao saber dessa surpreendente declaração, que me frustra a forma como o teísmo cria essa corrupção e depois decide culpar a nós ateus por ela.

Como é possível que não esteja completamente claro por que faço essa afirmação, elaboro aqui.

Cabe antes de mais nada explicitar o óbvio: verdadeiros ateus são, por definição, aqueles que realmente não acreditam na existência em deuses. Nada mais, nada menos. Deve ficar sempre perfeitamente claro que chamar corruptos de ateus, e mais ainda de "verdadeiros ateus", não é nada mais nem nada menos do que insultar gratuitamente o ateísmo, um exercício de preconceito e discriminação completamente injustificados. Por mais que eu louve a atitude de Constantine em denunciar os graves abusos do meio que frequentava, melhor faria ele se culpasse os culpados sem manchar a reputação dos inocentes.

De fato, o que mais me entristece e revolta nessa história é minha suspeita de que Constantine sequer percebeu que estava insultando inocentes. Porque, é sempre bom lembrar, ateísmo não é defeito moral. É simples posição de crença, ou melhor dizendo, de descrença. Mas certos círculos tentam tão insistentemente propagar o mito de que "crer é bom" - significando que seria inerentemente bom, como se de alguma forma crer em divindades tornasse as pessoas melhores, mais virtuosas no sentido moral - que muitos acreditam sinceramente e até louvam essa mentira odiosa.

Pois não cabem meias palavras aqui. É sim de mentira odiosa que se trata, nada menos. Qualquer pessoa que observe a verdade dos fatos com um mínimo de honestidade há de constatar que, longe de ser um farol que indica o caminho da virtude, a crença em Deus frequentemente - e não duvido que isso ocorra inclusive na maior parte das vezes - torna-se simples desculpa para a auto-justificação em desafio aos fatos, aos direitos de outros, ao respeito aos demais. Ganhou um espaço completamente exagerado na nossa cultura a idéia de que quem "está com Deus" de alguma forma está melhor, merece mais, vale mais e deve ser mais desculpado do que os outros. E tal idéia não merece respeito algum. Nem meu, nem de outros ateus, e na minha sincera opinião, muito menos dos teístas de boa fé, que deveriam se enojar diante da idéia de serem confundidos com gente de mentalidade tão torpe como esses "chauvinistas da crença". Crer em Deus é legítimo; eu não recomendo, mas reconheço que para muita gente é apenas natural. Mas se esconder atrás da crença para travestir de respeitáveis atitudes que são francamente egoístas, corruptas, discriminatórias é exatamente tão patético quanto parece ser.

Ateus não tem motivos para deixar de apontar esse fato com toda a clareza. E teístas tem todos os bons motivos para insistir em apontá-lo. Assim como crer em Deus não é de forma alguma garantia de honestidade, da mesma forma e pelos mesmos motivos é uma ingenuidade cruel e perigosa pressupor que ateus "tendem" a ser desonestos ou em algum sentido corruptos. Aqueles que vêem beleza na crença em Deus deveriam em minha opinião ser os primeiros a ressaltar que crença não é desculpa para tachar injustamente a descrença. Se os crentes sentem necessidade de se contrastar com os descrentes para se sentir melhor, isso não tem como deixar de ser sinal de fragilidade e insegurança, pelas quais seria absurdo culpar os descrentes.



Escrito por Luis Dantas às 19h10
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Quarta passada, dia 22, terminei a leitura de "Para Onde Ela Foi", o livro que continua a história de "Se Eu Ficar", cuja adaptação para filme de cinema tanto me impressionou pouco mais de duas semanas atrás.

Abençoado Kindle! E abençoada leitura. Gayle Forman é realmente uma autora de raro talento. Que livro visceral! Enquanto acompanhava o drama de Adam, me ocorreu que seu efeito era ainda mais intenso porque, alguns efeitos cosméticos à parte, as situações eram absolutamente verossímeis. Os dilemas de Mia e Adam são exatamente os mesmos que provavelmente aconteceram várias vezes nas vidas de muitas pessoas que você e eu conhecemos e jamais chegamos a ficar sabendo. Constatar esse fato, saber disso com tanta certeza, transforma uma história de perda, dor e decisões em um verdadeiro horror existencial. Como se pode resolver o que é absolutamente normal? Como se pode encontrar abrigo do que já está resolvido?

É bem esse o tipo de perguntas que Adam - que neste livro é promovido a protagonista e personagem de perspectiva - se pergunta repetidamente. Sua aflição em querer visceralmente simplesmente descobrir que as coisas não são como tudo indica que de fato são é inebriante, vertiginosa, aterradora até. A história que se passa praticamente toda em pouco mais de doze horas e a maior parte de seus momentos mais intensos são duas pessoas conversando sobre assuntos normais em situações normais. Como é perturbador constatar isso...

"Se Eu Ficar" era uma história sobre a aceitação da perda. "Para Onde Ela Foi", adequadamente, fala sobre o que fica depois da perda e como se lida com situações que deveriam parecer normais e aceitáveis, mas simplesmente não o são. À medida que as páginas são viradas e acompanhamos Adam em conversas tão sensatas, tão normais, a angústia cresce e precisa ser expressa. Adam é um protagonista particularmente cerebral e contido, que por vezes parece viver em dois planos de existência contrastantes ao mesmo tempo. Ele sabe exatamente quem é, o que valoriza e o que busca. E neste livro ele alcança o maior triunfo que poderia conceber: ele aprende a de fato aceitar e estar em paz com essa constatação, depois de três anos de luta.

Só de me lembrar do caminho que ele percorre e do resultado que consegue, da forma serena como diz o indizível, simplesmente porque aceitou que é a coisa certa a fazer... tenho vontade de gritar. Poucas vezes li ou experimentei de qualquer outra forma uma história tão sutilmente e poderosamente catártica.

Altamente recomendado. E poderosamente existencial. Mas prepare-se para poder chorar e quem sabe gritar um pouco, melhora o aproveitamento. Se por acaso você tem interesse por música e aprecia o efeito dessa arte na percepção dos fatos, mais um motivo para eu lhe indicar este livro. A autora explica na dedicatória que esse teve esse benefício, o que talvez ajude a explicar a sublime sofisticação da trama.



Escrito por Luis Dantas às 00h39
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Filme Recomendado: "If I Stay" (Se Eu Ficar)

"Se Eu Ficar" é uma rara celebração.  Belíssimo filme, eu alguns sentidos talvez melhor, e certamente mais visceral, do que "Diário de Uma Paixão", com o qual partilha uma série de qualidades.  Apesar de ser um filme que não tenta camuflar sua orientação para o público jovem e que usa um recurso narrativo que geralmente afasta meu interesse, é extremamente envolvente, absolutamente autêntico, e extremamente bem escrito e dirigido.  Poucas vezes vi uma ode tão bem construída aos verdadeiros valores familiares, uma homenagem tão gloriosa à necessidade de aceitar o que se tem de bom na vida.

Particularmente felizes são a cena perto do final do filme entre a protagonista e o avô, que pareceria satirizar certo filme de renome se não fosse tão completemente sensível, e uma cena tocante entre mãe e filha em um dos flashbacks.  Honestamente não sei como pode não ter sido incluída entre as citações notáveis do filme no IMDB.

Não por coincidência, é também um filme que nos apresenta constantemente os temas de renúncia e perda irreparável.  Um dos assuntos mais importantes da história é a sutil mas terrivelmente dolorosa constatação da protagonista de que chegou naquele momento da vida em que a inocência tem de ser posta de lado e as escolhas adultas são inevitáveis.

Absolutamente recomendado.  De pé.  Aplaudindo e chorando.

 



Escrito por Luis Dantas às 00h00
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The Hero Myth and the Sin of Hubris;
or, On Why We Must Seek Balance


I have come in recent months to feel that much of humanity's drama comes from the conflict between the need for free expression of the individual's desires and the opposing need for security by way of belonging to a greater, stronger, safer group.

More recently I have also wondered whether moral responsibility isn't ultimately given by others, instead of being an inherent or inate property of the individual.

I have come to feel the reality of this world is such that there is no such thing as truly "having" moral rights; instead, we exist in such a way that allows us to give and enjoy moral gifts that can be given from one person to another, but not to oneself (at the least, not preferably, easily and safely).  Moral space is created by others so that we may enjoy it, and exist in it.

We do, of course, have moral duties.  Two main categories of such exist.  There are those related to the need (and a need it is) of properly showing acceptance for the moral gifts that are granted to us by those that love us and attaining joy from those gifts.  And then there are those that relate to the complementary and even more urgent need of express our gratitude and attempt to deserve those gifts by contributing to the flow of good will, by heartfully and freely give others moral gifts of our own.

To give a moral gift, one must find it in oneself to be caring enough to sincerely want to dedicate a bit of his or her time and attention while also feeling unhindered by that effort.  It takes love. Or perhaps rather, it takes the expression and nurture of the love one previously received.

It is definitely the case that such an effort is bound to eventually return to us - the more indirectly the better - but that can't be our conscious, main motivation.  Love must be freely given.

It has been said that the tragic flaw of our time is that it lacks heroes.  But maybe that is not quite the case.  Maybe, instead, what we truly resent is far less the lack of larger-than-life heroes (which, by the classic Greek definition, implies their eventual fall into disgrace and tragedy) than the lack of a silent, discreet, unsung and unnoticed multitude of "small heroes", people who simply choose to be respectful, loving, caring and constructive without even noticing it, on a continuous and consistent basis.  People who enable, love and encourage each other all the time, and end up emotionally solid enough to dare to care for others outside their immediate circle and keep expanding it.

Such, I have come to feel, is the way by which true communities are born.  And that is, as far as I can tell, the only functional way of making it so that communities can go beyond mere survival and actually live and thrive.  Most of all, it is how they can be worthwhile, because trusting and meaning well will come to them spontaneously, constantly, consistently and without effort.



Escrito por Luis Dantas às 17h00
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A Teoria do Grande Homem

Aprendi ontem que Thomas Carlyle propôs na década de 1840 a "Teoria do Grande Homem", segundo a qual os eventos importantes da História são determinados pelo impacto de "Grandes Homens" ou "Heróis".

É uma tese não de todo surpreendente.  Fiquei feliz em aprender também que a contestação veio relativamente cedo, e gratificado (talvez ironicamente) em saber que um dos primeiros críticos sérios veio a ser Herbert Spencer, a quem se atribui também a alcunha da infeliz expressão "Darwinismo Social".

É interessante contrastar as duas idéias, e considerar a época em que ocorreram.  Talvez nenhum século tenha sido tão conturbado de um ponto de vista intelectual quanto o século dezenove, a época em que o Eurocentrismo vivia seus derradeiros estertores, em uma lenta e dolorida agonia que criou idéias tão exóticas e desesperadas quanto o Positivismo de Augusto Comte, o Espiritismo de Allan Kardec, e a Teosofia de H.P. Blavatsky.   A cultura européia e seus descendentes nas Américas aprendiam que nunca mais poderiam se ver como o centro e razão de toda a existência, e instintivamente se apegavam às muitas mas alquebradas promessas de que no fim das contas essa seria uma mentira ou ilusão, e seus valores e perspectivas seriam sim determinantes em toda a existência afinal de contas.  Foi uma época notável pelo enorme grau de aceitação de ideologias absolutamente pobres de lógica e de conteúdo, simplesmente porque prometiam conforto a curto prazo.

A Teoria do Grande Homem, em minha opinião, é parte integrante desse pânico ideológico eurocêntrico, e teve muitas das mesmas causas.

E quais seriam essas causas?  Por que, afinal de contas, o século dezenove foi tão conturbado de um ponto de vista intelectual?

Até onde posso ver, parece ter sido devido a uma conjunção dramática de fatores.  Entre eles, o avanço da tecnologia e a consequente perda das tradições e certezas que veio com ela.  Locomotivas, luz elétrica, geladeiras, até mesmo telefones tornaram possíveis estilos de vida muito mais ambiciosos e abrangentes do que se poderia sonhar poucas décadas antes.  Ninguém compreendia plenamente que tipo de consequências haveria ou deveria haver do contato tão facilitado com idéias tão exóticas e difíceis de entender e controlar.  Em 1889 (o mesmo ano da Proclamação da República no Brasil) inaugurava-se o Expresso do Oriente, e com ele passou a ser possível fazer o trajeto entre Paris e Constantinopla (hoje Istambul) confortavelmente e em menos de três dias.

Hoje isso pode não parecer tanta coisa, mas não tenho dúvida de que para muitos esse foi um choque cultural sem precedentes.  Constantinopla era a capital do Império Romano do Oriente, e alcançá-la era algo tão difícil, e exigia tanta determinação, que por muito tempo nobres europeus que garantiam ser os legítimos Imperadores passaram vidas inteiras sem sequer chegar perto da região.  O Império Romano do Oriente terminou no século quinze, cerca de mil anos depois do seu "irmão" em Roma, mas a própria distância fez com que na prática sua existência fosse relativamente sem consequências para o cotidiano da Europa; era apenas mais uma entre tantas culturas exóticas, distantes, quase lendárias e impossíveis de entender.

No entanto, essa era uma situação caminhando rapidamente para seu fim. O fim da escravidão, o declínio do prestígio da nobreza, a inevitabilidade do contato com culturas de outros continentes e da constatação de que eram no fim das contas gente com quem se poderia aprender muito, e não apenas hordas de bárbaros necessitando de orientação condescendente, esses e outros fatores tornavam gradativamente mais difícil ter a segurança sobre os rumos do futuro que era tão natural em tempos nos quais não se conhecia outra forma de viver.

Outro fator, frequentemente esquecido, é a insegurança que advém do aumento da população e do avanço da medicina.  Com todas as desvantagens que tem, uma vida em que você pelo menos sabe exatamente a quem paga impostos e em que a negociação de seu espaço vital e direitos é feita com apenas um punhado de pessoas, com uma hierarquia clara e cujos nomes todos conhecem com exatidão traz certezas e rumos claros.  Não se deve menosprezar o impacto psicológico de estar à mercê da boa vontade de uma classe política que nunca saberá da sua existência enquanto indivíduo.   Ninguém se sente realmente confortável sendo redundante, sendo simplesmente mais um entre inúmeros outros.  E o século dezenove pedia não apenas que aceitássemos que nossos regentes não soubessem nossos nomes, mas também que aceitássemos como significativa a existência de culturas inteiras que antes pareciam distantes e inalcançáveis.  Culturas que não falavam a mesma língua e que apresentavam diferenças que até hoje oferecem desafios consideráveis até mesmo para profissionais dedicados à tarefa de entendê-las.  Por mais que essa tarefa seja necessária e honrada, não se pode estranhar que o europeu típico quisesse se convencer de que ela não era particularmente importante, e não teria por que criar muitas mudanças em suas perspetivas - fosse essa ou não a verdade.



Escrito por Luis Dantas às 04h46
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Um board game para enxadristas?

Sábado passado joguei "After the Flood" pela segunda vez. A primeira vez foi há talvez quatro anos atrás. Trata-se de um jogo de Martin Wallace para exatamente três jogadores. Como outros jogos de Wallace, é um eurogame matematicamente rigoroso e tematicamente bem cuidado. Neste caso, o tema de fundo é a civilização antiga da Suméria e a marcha de vários exércitos históricos em busca de supremacia.

A partida inteira dura apenas cinco rodadas e inclui duas fases de decadência, que ajudam a evitar o crescimento desenfreado que caracteriza tantos outros jogos. Há uma nítida elegância minimalista. E em dado momento, me ocorreu que este é um jogo tão inclemente quanto o xadrez; o único elemento de sorte em toda a partida é a escolha da ordem inicial de jogo. De resto, não há absolutamente nada em disputa ou em incerteza a não ser as escolhas completamente informadas dos jogadores e seus efeitos nos planos uns dos outros.

Seria "After the Flood" um jogo particularmente adequado para a análise racional e controlada de um bom enxadrista? Isso eu não sei, mas estou inclinado a acreditar que sim.



Escrito por Luis Dantas às 08h30
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Perceberam o tamanho da bobagem e do estrago

Finalmente tentaram consertar o crime do juiz, descrito nas notícias do item anterior deste blog:

 

TJDFT derruba decisão que absolveu homem que tentou levar droga para Papuda

Traficante tentou transportar 46 gramas de maconha dentro do estômago para um amigo que estava preso


Escrito por Luis Dantas às 07h22
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Tinha de ser um juiz de Brasília...

Por essas e outras que não entendo por que Direito é considerado curso superior...

 

Juiz alega que maconha não é droga proibida e absolve traficante

 

Juiz absolve réu por considerar maconha ‘recreativa’

 



Escrito por Luis Dantas às 09h38
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O mais recente filme de Woody Allen, "Blue Jasmine"

Woody Allen tem um enorme talento humorístico, mas há muito tempo que seus filmes são cada vez mais sérios e profundos.  A safra mais recente tem sido notável em sua qualidade.  "Meia-Noite em Paris" era uma maravilha de sobriedade com um final otimista.  Este último, "Blue Jasmine", é um verdadeiro apelo ao bom-senso, com um toque verdadeiramente poético de advertência quanto às ilusões do deslumbramento.  A personagem-título é algo depressivamente verossímil - uma pessoa que tomou alguns atalhos, evitou algumas tomadas de consciência dolorosas, e com isso se pôs exatamente na posição em que criou muito estrago nas vidas das pessoas próximas, inclusive ela própria.  Jasmine é acima de tudo uma vítima, e paga um preço alto por sua própria mediocridade e falta de coragem moral.  Acostumada a viver nas alturas ilusórias do alto "status" social, descobre-se repentinamente como a pessoa miserável que sempre foi, incapaz de sequer compreender plenamente as profundezas de seu despreparo para lidar com a vida real.  Torna-se desonesta e nela reincide, não por malícia, mas por pura e drástica fragilidade.

Simultaneamente, o filme mostra também pessoas mais comuns e realistas, lidando com situações menos glamourosas mas pelo menos tentando se sustentar com as próprias pernas.  É um contraste doloroso e compassivo, uma advertência contra os perigos de se deixar fascinar por aquilo que não é realmente nosso nem pode de fato vir a ser.  E nas entrelinhas há uma mensagem muito discreta mas poderosa de apreço pela quieta aceitação e compreensão de que todos nós precisamos, mesmo que isso nos custe sonhos de grandeza que muitas vezes são mais um veneno do que qualquer outra coisa.



Escrito por Luis Dantas às 21h22
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A necessidade do reconhecimento e cuidado das Holarquias, ou : Por que os futuros grandiosos não acontecem de forma sustentável?

Um conceito que aprendi com Ken Wilber e que valorizo é o de "Hólon".  A idéia de que os sistemas não existem em função de algum nível específico apenas, mas podem, devem, e talvez sempre tenham necessitado ter validade e sustentabilidade por si próprios, em todos os níveis perceptíveis.  Ao mesmo tempo, não deixam por isso de fazer parte de estruturas maiores, nem de ser compostos por sistemas menores.

Do meu ponto de vista é simplesmente insano não usar alguma variação dessa idéia se queremos realmente que nossos projetos maiores tenham algum significado ou durabilidade.  A alternativa é cair na Síndrome do Lanterna Verde, que nos leva a querer crer que as coisas acontecem simplesmente porque queremos muito sinceramente que aconteçam - uma doença patética, porém típica dessas gerações narcisistas atuais.  E em sua consequência inevitável, a necessidade de graus patológicos de fuga contínua, via drogas e outras doenças.

É por tentar ignorar essa realidade, tão evidente em retrospecto, que criamos muitos dos problemas que lamentamos.  Porque insistimos em querer fazer prédios sem pedras ou tijolos, ou pior ainda, simplesmente esperar de forma muito indignada que tais prédios se ergam sem ser propriamente construídos.  Só que não é assim que as coisas funcionam na prática, na vida real.  As pessoas não querem nos proteger e nos oferecer oportunidades simplesmente porque estamos muito acostumados a acreditar que é o que merecemos.  Criar problemas é de fato criar problemas, e não soluções.  A vida não é generosa com quem se orienta por uma percepção descuidada e caprichosa de suas próprias necessidades em vez de pelos fatos objetivos.

Ou talvez seja mais correto dizer que em contextos sociais como o nosso essa generosidade pode sim ser encontrada, simplesmente porque muito das gerações mais recentes quer desesperadamente acreditar que é assim que se deve viver.  Mas é uma situação artificial, inevitavelmente frágil e instável.  Resulta inevitavelmente em decepções que não são apenas fortes, mas também sentidas com impacto ainda maior porque seus afligidos foram mal orientados e mal preparados para lidar com elas.  Hoje em dia é comum encontrar pré-adolescentes gritando com toda sinceridade que precisam de marcas específicas de celulares, roupas e tênis.  E isso, sinceramente, é falta de vivência necessária em lavar louça, cozinhar sua própria comida, enfim, em manter contato com verdadeiras necessidades e suas implicações.  Quem cresce aprendendo que a solução para a frustração é gritar e chorar mais alto ainda vai acabar por gritar e chorar por toda a vida, com resultados cada vez mais questionáveis.



Escrito por Luis Dantas às 11h55
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Reflexão sobre as contradições

Certa vez me disseram que um grupo de Soto Zen específico tinha por hábito procurar trabalhar com a terra durante seus retiros. Um bom hábito, como vim a concluir depois. O Budismo Zen está completamente correto em querer manter seus praticantes em contato inequívoco com as situações concretas e cotidianas, e todos devem procurar formar uma apreciação direta dos desafios e significância da prática da agricultura.

Afinal, todas as pessoas comem, e quem não produz seu próprio sustento está em última análise se beneficiando do trabalho alheio para sobreviver. Não há vergonha em depender dos outros, mas há tolice em se orgulhar de não compreender ou respeitar as próprias estruturas que nos sustentam.

Minha criação foi muito isolada e ocorreu em completa revelia de minhas vontades ou vocações pessoais, por isso demorei muito a perceber o quanto as pessoas costumam ser focalizadas em suas próprias circunstâncias imediatas e falhar em perceber contextos maiores. É de fato muito fácil se acostumar à segurança ou ao privilégio. É muito humano criar quase instintivamente uma variedade impressionante de "necessidades" de graus diversos de intensidade e legitimidade e crer piamente que tais necessidades são reais e precisam ser atendidas. Nossos sensos de identidade são tão frágeis quanto gulosos.

Muitas vezes me perguntou como seria se eu tivesse escolha. Teria sido tão fácil para mim perceber essa fragilidade e desenvolver aversão a ela? Eu teria aprendido a ver com certo humor a idéia de que certas pessoas fazem questão de se apresentar como sendo "autoridades" ou "doutores" mesmo quando os fatos tornam impossível ignorar que são apenas mortais perfeitamente falíveis, não raro medíocres e paupérrimas até? Qual teria sido a chance de eu querer ser mais um a seguir o caminho acomodado, se ele me tivesse sido permitido?

Nunca vou saber ao certo. Mas não posso negar que essa negação me proporcionou uma perspectiva rara, embora desconfortável, da qual tenho hoje considerável apreço e orgulho. Paradoxalmente, ser consistentemente negado apoio, reconhecimento ou segurança me fez perceber que muito dos caminhos mais populares é ilusório ou destrutivo. Não é coincidência que eu tenha uma posição radical contra o uso de drogas e ainda hoje me surpreenda de essa ser uma posição minoritária.

Em anos recentes a percepção da fragilidade das expectativas sociais me tem vindo com enorme clareza e intensidade. Vejo as pessoas tendo filhos e simplesmente acreditando que isso não terá consequências ruins. Vejo alunos comemorando que não estão precisando aprender o básico para passar de ano no ensino básico e médio. Vejo profissionais e pais de família reclamar do que basicamente é pouco mais do que a falta de vontade da sociedade maior em lhes prestigiar. Vejo pessoas que são privilegiadas com um grau de proteção que não compreendem nem merecem insistir consistentemente em demandar impacientes por ainda mais privilégio e proteção, talvez exatamente porque em algum nível muito oculto estão conscientes de quão pouco podem confiar no que insistem afirmar ser "seus direitos" e de quão pouca esperança tem de sequer compreender algum dia como poderiam fazer para merecer tanto sacrifício alheio.

De fato, há uma relação muito curiosa e problemática entre os comandantes e os comandados. A natureza humana aspira naturalmente a testemunhar eventos grandiosos e influentes. Causá-los se possível, sim, mas apenas testemunhá-los se necessário. É um paradoxo que remonta ao ideal clássico do herói grego, que ao mesmo tempo que inspirava à população reflexões sobre a grandeza e permitia um sentimento de conexão com esta, se via em uma situação tão exagerada e insustentável que necessariamente se via destruído ao final. É a mesma situação em que se vêem hoje, entre outros, os nossos políticos, que são odiados e desprezados ao mesmo tempo em que esperamos que sejam algum tipo de transformadores sobre-humanos embora essa expectativa seja claramente absurda.

O mito do herói para ser odiado e cobrado é muito forte em nossa cultura. Mas não creio que seja uma tendência a que convém nos render. Cultivar maturidade, responsabilidade própria e lucidez faz muito sentido e é provavelmente necessário. Corremos o risco de nos intoxicar com o apego a mitos e às expectativas que projetamos neles.



Escrito por Luis Dantas às 11h29
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Para que serve o "Direito"?

Uma convicção pessoal firme minha é a de que nossa sociedade desperdiça muitos recursos e cria muito sofrimento e alienação evitáveis por mistificar certos conceitos.  Um deles é o que em outros países é chamado de Lei, mas aqui no Brasil é um tanto surpreendentemente chamado de "Direito".  Uma área que algum dia não mais será aceita como opção legítima de atividade profissional.

Este artigo por Gisela Maria Bester ilustra bem como muito da supostamente essencial atividade da área de advocacia e arbitragem política oficial acaba sendo, na prática, uma fuga coletiva.  Um esforço majestoso em construir tigres de papel para depois gastar esforços igualmente impressionantes em destruí-los, enquanto se afirma continuamente que problemas significativos estariam sendo resolvidos nesse exercício.

Como salvar a Constituição dos “constitucionalistas”?

Um nome mencionado de passagem nesse artigo é o de Luis Alberto Warat, professor de Direito nascido na Argentina que aparentemente alcançou considerável fama lá e aqui no Brasil por suas teses surpreendentes e desorientadoras.  Não duvido que ele tenha sido bem intencionado e que inclusive tenha beneficiado muito a percepção e consciência social dos profissionais da área.  Mas não deixa de ser tristemente irônico que até mesmo os heróis do "Direito" o são exatamente por causar confusão e desorientação entre o que supostamente são linhas sólidas de orientação da área.  

A supervalorização das atividades de arbitragem (necessária por motivos pragmáticos, mas completamente inadequada para qualquer tipo de intenção de reforma da sociedade) e de advocacia (inerentemente criadora e preservadora de desigualdades sócio-econômicas e de distorções sérias de percepção da utilidade e valor dos elementos da sociedade) é uma das realidades mais tristes e destrutivas da cultura ocidental.



Escrito por Luis Dantas às 11h01
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De um post recente meu no fórum religiousforums.com:

Of course secularists commit blunders. They can hardly be expected to be divinely protected from missteps - certainly not more so than theists.

Although I sometimes wonder - but that is a matter for another thread.

When the tire meets the tarmac:

1. The proof is in the pudding. Morals are superior when they work, as opposed to claiming to work. It matters not if they were enounced by a mystic sage or obtained in any other way.

2. Morals are by necessity living as well as objective, despite widespread mistakes.

2.1. They can and must change along time and adjust to differing circunstances and above all to improved knowledge, including scientific knowledge.

2.2. They depend most of all on the actual capabilities and discernment of those who are judged by them.

2.3. While adjustable and quite arguable, they are hardly subjective, although their understanding unavoidably is. Morals are a duty, a permanent intelectual challenge - and, in fact, a major reason to develop rationality - and they will be understood differently by different people or even in different circunstances or even simply at different points in time. Despite the inconvenients, that is really a good and necessary fact. But that should not be confused with an open license to personal morals that do not pay tribute to actual objective reality. Morals are above all else a duty to greater society, after all. They are necessarily grounded to and calibrated by objetive factors and are in that sense unavoidably objective. They are just hard to freeze by textual rules, judiciary rulings and general understandings. They must be personally understood and developed if they are to make any sense at all.



Escrito por Luis Dantas às 05h06
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